O lendário investidor Warren Buffett tem uma máxima que diz: “São necessários 20 anos para construir uma reputação, e apenas 5 minutos para destruí-la”.
Eu não poderia concordar mais: todos sabemos o quão difícil é construir uma boa reputação (como executivo, como político, ou até como pessoa de forma geral), e o quão fácil é perder essa reputação – na medida que fizermos algo que não esteja à altura da reputação que construímos.
O que fica menos claro é o fato que se tornar um palestrante profissional demora bastante tempo, JUSTAMENTE porque a reputação é demorada de se construir. Ao mesmo tempo, a menos que não percamos essa reputação, uma vez que você se torna um palestrante profissional, você fica nesse mercado por muito tempo (segundo um estudo da SpeakerFlow feito com palestrantes do Estados Unidos, a “vida útil” de um palestrante é em média 16 anos, contra 7 anos de qualquer pequeno negócio).
“Mas porque reputação é tão importante no mundo de palestras, Andrea?” – você deve estar pensando. Não é mais importante o conhecimento que tenho do assunto? A minha experiência no setor? O meu número de seguidores nas redes sociais? A verdade é que não: ao longo dos meus 4 anos como palestrante profissional full-time e nas minhas mais de 500 palestras, aprendi que a reputação é a “arma” mais poderosa de um palestrante e deixe te explicar isso lhe fazendo uma pergunta:
A pergunta é: quanto custa parar a sua empresa por 1 hora? Sim, todos os colaboradores da sua empresa. Óbvio que é quase impossível calcularmos isso de forma exata, mas podemos fazer uma estimativa, calculando o valor por hora pago em média na empresa, e multiplicando pelo número de colaboradores. Com certeza se trata de milhões de reais, se não mais, dependendo do tamanho da empresa.
Irei fazer uma pergunta um pouco mais simples: quando custa parar o Comitê Executivo da sua empresa por 1 hora? Pegando a média dos salários dos C-levels (certamente bem altos), podemos estimar que se trate de centenas de milhares de reais.
Isso nos leva ao conceito principal deste artigo, ou seja, que a pergunta que qualquer contratante de palestra faz ao considerar um palestrante é: “Eu confio que esse palestrante vai fazer uma entrega digna desse valor? Eu confio que vai valer a pena “gastar” esse tempo da empresa, ou dos executivos?”. Até porque sabemos que qualquer má entrega de palestrante pega mal na imagem do contratante dentro da empresa.
Percebeu? O contratante não se pergunta primeiro se o palestrante tem suficiente experiência profissional na área, não se pergunta quantos seguidores nas redes sociais tem, não se pergunta se fala perfeitamente português (eu tenho sotaque forte italiano, e até hoje cometo alguns erros de português), ele ou ela se pergunta primeiro se o profissional contratado vai dar “conta do recado”, e o único elemento que consegue responder isso é a REPUTAÇÃO que o palestrante carrega consigo.
Posteriormente, o contratante vai se aprofundar mais sobre experiência, seguidores, e oratória, mas isso vem DEPOIS do “reputation check” – se é assim que podemos chamá-lo.
A pergunta que não quer calar aqui é: “Como se constrói reputação, então?”.
Para entender isso, precisamos começar pelo que é reputação (do Latim: reputatione), e pela sua própria definição se trata da avaliação social dos outros a respeito de uma pessoa, um grupo ou uma organização”. Em outras palavras, se trata da opinião que as pessoas têm de você – e mesmo que cada um possa ter opiniões diferentes (você nunca vai agradar todo mundo!), existem formas de moldar a opinião que as pessoas têm de você.
Fica claro então que se queremos mudar nossa reputação, precisamos mudar a opinião que os outros possuem da gente (ou em alguns casos, fazer com que as pessoas tenham opinião da gente…obviamente não vão tê-la se ela não te conhecer!). Mesmo que pareça difícil, existem maneiras diferentes de fazer isso.
A verdade é que reputação pode ser desenvolvida de formas diferentes em mercados diferentes, mas no que tange especificamente o mercado de palestras, o que mais constrói reputação são os seguintes elementos (rankeados abaixo por ordem de importância, começando pelo mais importante até o menos importante):
- Palestras feitas: é inútil dizer que provavelmente o elemento mais importante para construir sua reputação seja a sua experiência (não a profissional, pois sabe quantas outras pessoas têm os seus mesmos “20 anos de experiência”?), mas sim a sua experiência de palestras! Se você tiver dado já palestras para outras empresas (ainda mais se do mesmo setor, ou muito respeitadas), clientes irão pensar “Opa, confio que ele é bom”. No meu caso, sou particularmente forte em alguns setores como Pharma, Agro, e Seguros, entre outros, porque praticamente já palestrei para todas as grandes empresas do setor – e isso constrói reputação. “Mas como começar, Andrea?”, você deve estar se perguntando caso que não tenha ainda dado palestras remuneradas até agora. Bom, você começa pelos outros elementos da reputação abaixo.
- Sucessos passados: prêmios, awards, títulos, conquistas – sejam profissionais, seja acadêmicas, seja como palestrante – são enormes indicadores de reputação, pois significa que algum decisor importante dentro de uma empresa te considerou acima de todos os outros. Um exemplo? O amigo e grande palestrante Pedrinho Salomão, que com seus livros incríveis já foi finalista do Prêmio Jabuti, transmite confiança de um autor e palestrante acima da média (coisa que de fato é!). Pode ser até cases de sucesso na empresa, exit da sua startup e afins…é fato que sucessos reconhecidos do passado são fundamentais para construir reputação!
- Referências/depoimentos: além de ter dado palestras em grandes empresas ou competidores, é importante para os clientes saber que essa palestra foi boa! Por isso use e abuse de depoimentos e referências de clientes antigos – que possam dizer para outros o quanto você inspirou seus colaboradores. Não é à toa que no meu site eu tenho uma seção apenas dedicada a isso.
- Menções na imprensa: ser chamado na imprensa como “especialista do tópico X” (seu nicho) para opinar, debater, e compartilhar sua visão, é um elemento poderosíssimo de construção de reputação. Mesmo que eu tenha tido várias menções na imprensa na época do Tinder e da L’Oréal, confesso que essa é a frente que mais preciso melhorar. Nela, me inspiro no amigo Arthur Igreja, um dos maiores palestrantes do Brasil, que está constantemente na mídia como expert de tecnologia. A consequência? Uma reputação impecável de expert de tecnologia, o que o torna em alta demanda em fóruns de tecnologia. Só um ponto de atenção aqui: não é apenas compartilhar as notícias, mas sim dar um tom opinativo (se não seríamos jornalistas, e não palestrantes).
- Conteúdo opinativo de qualidade: todo o conteúdo que criamos nas redes sociais, em blogs, podcasts (ou seja os principais canais de comunicação de um palestrante) sobre seu nicho de posicionamento temático, precisa ser de alta qualidade, original, e consistente. De novo, compartilhar notícias não é suficiente: criar enquetes (eu recentemente fiz uma enquete sobre Soft Skills com 246 RHs brasileiros que fez as manchetes de vários veículos de imprensa como Época Negócios), fazer pesquisas, dar opiniões únicas – todos são importantíssimos. Ah, e não é suficiente que você tenha alguns desses conteúdos publicados por mês: é preciso todo dia (eu crio 2 peças de conteúdo por dia!).
- Livros publicados: também é inútil dizer que ter livros publicados é chave para criar uma reputação de palestrante, primeiro porque o livro é a quintessência de qualquer teoria de palestra, em seu formato mais detalhado e completo, e segundo porque é mais um elemento que te diferencia dos demais – que palestram sobre o tema, mas fizeram o esforço de pensar a fundo em suas teorias ao ponto de publicar um livro. Idealmente o livro é publicado por alguma editora reconhecida, mas também a autopublicação funciona (e como iremos ver, o livro tem outras funções de destaque na rotina de um palestrante).
- Estar em uma agência de palestrantes: fazer parte de um site de palestrantes, de alguma forma, vale como selo de verificação que você é um palestrante com reputação. Ao divulgar seu perfil em agências, nacionais ou internacionais, você mostra para potenciais clientes que já passou o “reputation check” de estar em agência de palestras. PS: de quebra, seu nome indexa no SEO e aparece nos resultados de busca de forma mais frquente.
- Experiência acadêmica: por último, não vamos esquecer que a experiência acadêmica (de ensino, e não de estudo!) é importante para a reputação. Para mim, ensinar numa instituição reconhecida como a Fundação Dom Cabral tem me ajudado muito a construir minha reputação como palestrante, assim como um dos maiores palestrantes do mundo, o Adam Grant, que possui uma carreira exclusivamente academia e zero experiência em empresas. Mesmo assim, é um dos palestrantes mais requisitados do mundo.
Elementos como anos de experiência, clareza da linguagem, um bom networking, contam muito menos na reputação do que você possa imaginar, e sabe porque? Porque muitos têm essas características. Ter isso não te diferencia dos demais profissionais…ter isso é o mínimo.
Possuir muitos seguidores, ter um site muito acessado, um podcast bombando, não são elementos de reputação: eles são canais de amplificação da reputação, isso sim, mas em si só não constroem reputação.
Ao mesmo tempo, reputação sozinha não é suficiente! Ela precisa ser comunicada, para que chegue em potenciais clientes – se não, você não é visto no mundo de palestras! E é sobre como tornar reputação em consideração, que iremos falar no próximo artigo desta Newsletter.
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